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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Esses romanos safadinhos…

Sexta passada dei mais uma aula, foi legal até. Expliquei a história do Brasil para os alunos, e a professora ficou muito penalizada com os brasileiros. Percebi que eu tenho uma visão muito pessimista do meu país, eu sempre falo sobre os nossos problemas sociais, mas também, com uma história dessas, como que o cara vai ser otimista? De qualquer forma, eu amo o Brasil e sinto muita falta do povo e da sensação de estar lá, acho que não quero morar em outro lugar. Não pela vida toda pelo menos, se bem que um Erasmus básico na Itália ou França não seria de todo mau…

Enfim, os alunos estavam um pouco cansados porque recém tinham feito um teste de matemática, então ficou meio pesado pra eles aprenderem história do Brasil. Da metade para frente, todos prestavam atenção e pareciam muito interessados, mas o fundão (sempre) estava disperso. Há de se levar em consideração que eles não conseguem ver as fotos ou ler o que está escrito no meu slideshow, porque eu só tinha meu laptop de material. Depois de explicar tudo, propus algumas questões de múltipla escolha no slideshow, que a maioria respondeu vergonhosamente errado. Eram perguntas idiotas como quem descobriu o Brasil, em que data, quem foi Getúlio Vargas, quando foi o golpe militar, etc. Ok, as duas primeiras quase todos acertaram, e nas outras sempre tinha alguém que sabia a resposta, então tudo bem. Eles se empolgam pra responder questões, o que eu acho bonitinho, eu não era assim no segundo grau. Nem na faculdade, haha.

Aguardei o intervalo e continuei a aula, dessa vez tentando conversar com eles numa boa, afinal sentia que já tinha falado demais e queria saber o que eles estavam achando. No começo estavam acanhados, até que uma menina me perguntou sobre as favelas. Primeiro perguntei onde eles ouviram falar das favelas, se foi somente no filme “Cidade de Deus” ou “Tropa de elite”. Eles absolutamente desconheciam esses dois filmes, fiquei chocada! Disseram-me que ouviam falar nos noticiários. Aproveitei meus estudos em comunicação pra falar um pouco da manipulação da mídia (haha) e expliquei como era o dia a dia na favela. Não que eu já tenha morado lá pra saber, mas todo brasileiro sabe como é, através de filmes, documentários, reportagens a respeito… Fiquei um tempão falando disso, até que prometi que levaria os trailers dos filmes. Eu adoraria mostrar Cidade de Deus e debater, mas só tenho mais umas 3 aulas! Muito triste, estou curtindo essa vida de professora de segundo grau.

Na próxima aula, que foi ontem, cheguei super atrasada, uma porque o metrô atrasou horrores e outra porque eu não conseguia achar a turma! Cada dia eles têm aula numa sala diferente aqui, muito estranho! Fiquei andando pra cima e pra baixo pedindo ajuda e quando cheguei lá, 20 minutos atrasada, a professora (dessa vez de inglês,que ainda não me conhecia) ficou balançando os braços bem italiana e gritando algo como “finalmente!!” enquanto os alunos batiam palmas. Nem preciso dizer que fiquei mais vermelha que um peperoni (pimentão em italiano). Pedi desculpas e expliquei a situação, então fomos ao laboratório de audiovisual, para que eu pudesse mostrar os vídeos. Ah, esqueci de comentar que eu estava usando bombachas!!! Hahahaha, guaspa que sou (aaaa-ham) fui dar aula de cultura vestida de gaudéria, tchê! Ainda amarrei um lenço vermelho na cintura e usei minhas botas cano longo, parecia que eu estava indo pra guerra! Alguns meninos bobalhões (do fundão, é claro) riram da minha cara, mas quando eu expliquei que algumas pessoas usam isso diariamente nas ruas no RS, eles ficaram perplexos e pararam de rir. No fim nem deu tempo pra explicar as tradições gaúchas e eu só fiz papel de palhaça, mas aula que vem eu falo sobre isso.

Falei sobre cultura indígena, folclore popular, carnaval, frevo, festa junina, desfile do dia 7 de setembro, dia dos namorados e páscoa, até que acabou meu tempo. Mostrei uma máscara de carnaval, espuma, brincos de pena feitos por índios e uma roupa de frevo (fica quieta, Vanessa!). Eles adoraram tudo e se emocionaram com as bugigangas. As meninas adoraram os brincos e a professora amou a máscara, embora as de Veneza sejam infinitamente melhores. Adorei essa aula, todos prestaram muita atenção em mim e se mostraram muito interessados, o que me deixa feliz 😀 Como é bom dar aula quando as pessoas realmente te escutam, deve ser tão frustrante dar aulas e ninguém prestar atenção, tentarei ser uma aluna melhor daqui pra frente! [Fácil falar isso no último ano da faculdade, haha]

Então, agora falando um pouco dos meus passeios… Sábado fui pra Pompeia (me pergunto se nomes próprios devem obedecer às novas regras de ortografia), como é linda essa cidade! O ambiente é tão mágico e misterioso, parece um lugar à parte do mundo! Fiquei super interessada em mais detalhes sobre a história da sociedade romana pré-cristã e sobre a erupção do Vesúvio, então domingo fui num museu interativo em Ercolano, cidadezinha a 5 km do vulcão que também abriga ruínas da erupção. Só que estas são tão pequenas e sem graça que nem entrei (custava 5 euros). Pompeia é bem melhor, com certeza! O museu era muito legal, havia animações da vida nas cidades em volta do Vesúvio nos séculos I e II a.C e mostrava como eram as cidades antes da erupção, o que as pessoas faziam, como se vestiam, como comiam, todos os costumes da sociedade e como era a política e a economia também, muito interessante! Almocei uma pizza na rua e dei os restos às pombas que estava por ali. Tão divertido assistir as pombas se engalfinhando por um pedaço de comida, elas dão uma bicada na pizza e o pedaço voa longe, daí outra que está por ali dá uma bicada e voa para outro lado e assim por diante. Pombas são tão engraçadas! Quando dei por mim estava cercada de pombas e fiquei assustada, daí fui embora, haha!

As pombas contra-atacam

Ainda meio obstinada com a história de Pompeia, ontem à tarde fui ao Museo Nazionale, em Napoli mesmo, que abriga a maioria dos mosaicos, artefatos e obras de arte encontrados nas cidades destruídas pelo Vesúvio. Eu estava muito curiosa com o “Gabinete Secreto”, local onde ficam mosaicos e quadros de práticas sexuais da época. Quando entrei, fiquei chocada! Li vários cartazes explicativos, que diziam que os romanos acreditavam que o pênis era símbolo da fertilidade (ok, isso é óbvio), então eles usavam talismãs em forma de pênis voadores contra maus espíritos!!!! Se eu não estivesse em um museu, eu acharia que era pegadinha do malandro. Mas esses talismãs realmente existiam e e eu tenho fotos para provar! Eles também acreditavam que barulho dava boa sorte, então penduravam sinos nos talismãs fálicos e espalhavam pela casa, mamma mia, che paura!

Talismãs-fálicos-voadores

Mais objetos eróticos

Além disso, nos grandes banquetes (tanto da nobreza quanto das classes mais baixas), eles usavam pratos, panelas e outros recipientes com imagens de práticas sexuais, tanto hétero quanto homo, para impressionar os convidados! Nas salas de jantar também haviam mosaicos e estátuas pornográficas, geralmente para um after dinner erótico envolvendo orgias e afins. Geral mente as imagens envolviam deuses e divindades gregas. Afrodite e Pan sempre presentes. Muito louco! Dei risada sozinha e aprendi muita coisa interessante lá, adorei!

Depois do museu, uma bandinha a pé por Napoli com uma Peroni básica (cerveja italiana deliciosa)

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No berço do mundo ocidental

Quando chegamos a Roma (dormi toda a viagem de tão podre que estava) às 3 da tarde, liguei desesperada pra Dora pedindo pra ela achar um hostel pra gente lá. Ela acordou com a ligação e mandou eu esperar ela tomar café. Estava chovendo bastante e eu precisava comer alguma coisa, então entramos no restaurante com aparência mais barata e eu almocei. A Ira foi pra casa da mãe dela, que mora em Roma pra ganhar dinheiro e mandar para a família, porque a Ucrânia não se desenvolveu muito depois da separação da União Soviética, então é muito difícil viver bem trabalhando lá.

Mais tarde, a Dóra mandou uma mensagem com o endereço de um hostel que ela achou. Comprei um mapa numa banquinha e fomos atrás. Demoramos bastante pra achar, e, ao chegar lá, estava completamente cheio. Então nos indicaram um outro hostel e nos deram um mapa melhor, porque o que eu comprei era uma porcaria. Chegando lá (depois de muito nos perder), só tinha quarto de 20 euros por pessoa. Fomos numa lan house procurar hostels, pegamos dois endereços e fomos atrás. Isso tudo levou umas três horas, já era noite, nós carregávamos nossas mochilas de 10 kgs nas costas e a bateria do meu celular acabou, então estávamos incomunicáveis. Sorte que a Ira conseguiu o celular da Violet (elas nem se conheciam antes da viagem) e disse que uma amiga da mãe dela poderia nos hospedar se pagássemos 8 euros cada. Pegamos um metrô e chegamos lá, abraçando a Ira com muita força por ter salvado a nossa pele.

No outro dia acordamos cedo e fomos para o Vaticano, porque no último domingo de cada mês a entrada é grátis. A fila era umas 5 vezes a fila do RU em horário de pico, mas andava rápido e a Ira guardou lugar enquanto eu e a Violet tirávamos fotos na praça. O museu é muuuuuuuuito lindo e maravilhoso, o problema é que as meninas não queriam ficar muito tempo nos lugares porque 1) a Violet é chinesa, então pra ela basta tirar fotos de tudo que ela encontra (vendo o mundo através do LCD de sua câmera) e 2) era a terceira vez da Ira ali. Ainda por cima a mãe da Ira ligou e disse que o Papa estava na sacada abençoando a procissão de crianças que estavam cantando músicas a favor da paz na praça. A Ira surtou e queria ir correndo ver o papa, mas o museu é enorme e tu não podes simplesmente sair, tem que seguir os trajetos indicados. Eu sinceramente preferia ficar observando os afrescos do Michelangelo na Capela Sistina, mas tudo bem. Quando chegamos na praça, o Papa obviamente já tinha ido embora.

Almoçamos e fomos na Igreja do Vaticano, que é uma das coisas mais bonitas e impressionantes que eu já vi na vida. Subimos até a pontinha da torre pra ver a vista (escadarias infinitas ficando cada vez menores e menores, se eu pesasse uns 5 kgs a mais não sei se passaria por lá). É muito lindo, Roma é uma cidade magnífica, linda demais, não tenho palavras pra descrever!

Comemos um sorvetão (ahhh, o verdadeiro gelato) e exploramos mais umas 3 ou 4 praças do outro lado da cidade. Ou seja, caminhamos horrores. Minhas pernas pareciam de aço e as solas dos meus pés ardiam de tanto caminhar, mas não há melhor jeito de conhecer uma cidade do que a explorando a pé. Finalmente chegamos no hostel, que era de indianos na Chinatown de Roma. Tomei banho e desmaiei na cama.

Acordamos às 7 e meia, tomamos café, fizemos check-in no outro hostel e fomos explorar o centro histórico. Agora era só eu e a Violet, a Ira voltou à Napoli. O Coliseu, a Piazza Venezia, a Chiesa Santa Maria Maggiore e o Foro Romano são muito lindos!!!! Andamos por tudo e, em apenas um dia, conhecemos todo o centro histórico e ainda voltamos à Piazza Spagna, à Reppublica e compramos nossos bilhetes de volta antes de anoitecer. Recorde turístico a pé, talvez. O outro hostel, Ivanhoe, recomendo a todos. É muito limpo, bonitinho e conservado, cheio de gente legal de tudo que é parte do mundo. Só foi difícil dormir com uma turma de 8 alemães que se juntaram com belgas e beberam todas as cervejas do lugar, cantando, dançando e gritando muito em alemão. No outro dia fomos à parte sudoeste de Roma e ficamos sem ter o que fazer porque já tínhamos visto tudo, então voltamos à Piazza Navona e a outros pontos turísticos. Principalmente eu, porque a Violet quis voltar cedo pro hostel pra usar internet.

Acho que o maior choque cultural que eu tive até agora foi nessa viagem com a Violet. Eu não sei o que acontece com os chineses (ou se são todos assim, mas pelo menos os 3 que eu conheci eram), mas o senso de convívio social deles é muito diferente. Talvez porque eles não possam ter irmãos e vivem a infância muito sozinhos, e ainda aprendem a conviver e depender da tecnologia muito cedo, ou porque as regras morais são muito estritas… Sei lá, mas pelo menos os que eu conheci eram completamente isolados dos outros e individualistas. Eu me sentia apenas uma intérprete de inglês-italiano e companhia (não no sentido de amizade) de viagem pra Violet. Eu oferecia o que eu comia, oferecia-me pra tirar fotos dela nos lugares, esperava ela enquanto ela tirava fotos de tudo (qualquer coisa MESMO, o tempo todo), perguntava se ela estava bem quando estava com cara amarrada, tentava ser amiga, mas ela não agia assim comigo. Engolia toda a comida (mastigando de boca aberta, diga-se de passagem) sem olhar para os lados, resmungava quando eu pedia pra ela tirar fotos de mim nos lugares, não se preocupava at all comigo e nem olhava pra trás quando estava na frente. Sem comentar questões de higiene básica que é sacanagem comentar e a arrogância de querer ir em restaurantes caros e em lojas da Gucci e Prada fazendo questão de me dizer que pode pagar por bolsas de 1.500 euros (odeio isso). Ou seja, não faz o menor sentido viajar com alguém assim.

No mais, foi uma ótima viagem, eu ignorava as atitudes da minha companhia e me enchia de alegria nos lugares lindos que eu ia. Amei Roma, quero muito voltar lá algum dia. Cheia de história e magia, bonita em qualquer ruela… E como fizemos praticamente todos os trajetos a pé, sinto que conheço bem essa cidade esplêndida. Estou muito feliz por ter ido lá. Semana que vem vou tentar encontrar a Lia em Praga e, se não der, vou visitar outras cidades da Itália. Time to travel nowwwwwww! É isso, beijos a todos e obrigada por ler minhas rabugentisses!

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Notícias da semana passada

Gente,faz tanto tempo que eu não posto nada sobre minhas vivências que eu tenho coisas demais pra contar. Vamos por partes:

Quinta-feira, dia 28 – desvendando uma boate italiana

Era aniversário de uma amiga da Dora, então fomos todos numa “discoteca”, como eles chamam aqui (e nós brasileiros também chamávamos até os anos 90). Eu, a Ira e a Vero pegamos carona com o Andrea Piccioli (menino super querido e divertido da @ – biba louca #adoro) e seu suposto namorado (especulações, especulações). A primeira boate que tentamos ir era num museu, só que estava muito cheia e não deu para entrar (ficamos uma hora congelando esperando pela maioria das meninas na frente da boate). A segunda era numa parte chique da cidade onde ficam as lojas de marca (Gucci, Prada, Dolce & Gabana, etc) e também estava muito cheia, mas a Lucia tinha contatos e passamos na frente de todo mundo sem pagar nada, lalalá.

Só que lá dentro, qualquer drink era 10 euros. Não interessa se tu queres beber um whisky importado ou um copo d’água. Todo mundo se vestia extremamente bem (ok, tinha umas escandalosas pensando que são a Lady Gaga, mas a maioria sabia o que estava fazendo) e o ambiente era muito legal. Pão-dura que sou, não bebi uma gota d’água até chegar em casa e saciar minha sede, que era enorme. Ok, dei uma bebericada nos absintos do Mohhamed (gente rica é outra coisa), mas muito pouco.

As músicas eram muito boas, baladas eletrônicas bem mixadas com um ritmo alucinante, fui tomada pelo espírito que me consumia nas famigeradas viptronics de Santa Maria (haha, do fuuuundo do baú). Ou seja, dancei até não poder mais. Eu e uma amiga da Lucia que eu não lembro o nome fomos as únicas que dançaram sem parar e sem sentar. Geralmente eu viro uma plasta lá pelas tantas, mas não com aquelas músicas e naquele lugar legal. Meu corpo doía mas eu continuava dançando, principalmente com o Roberto, biba animada e querida (das especulações anteriores).

Fatos curiosos:

  • Algumas pessoas dançam como nos clipes da Beyoncé ou da Madonna, eu nunca tinha visto algo do tipo. Vão até o chão com coreografias medonhas mesmo!
  • Entre uma batida e outra, o DJ colocava algumas músicas tri sem noção e as pessoas pegavam um microfone e cantavam junto. O ápice de emoção da galera foi quando tocou “O sole mio” e todos exauriram seu gogó em uníssono (SIM)
  • Muitos grupos ocupavam mesas de vidro reservadas e pediam garrafas de vodka Absolute com várias latinhas de red bull. Eles, então, ganhavam aquelas velinhas explosivas de aniversário e ficavam dançando com aquilo pra se aparecer. Muitos faziam isso várias vezes e me deu a impressão de que eles só precisavam mostrar aos outros que estavam se divertindo, porque não pareciam tão felizes sem fogos e flashes na cara. Sei lá, pareceu-me ensaiado e falso. Talvez eu só estava com inveja daquela bebida toda.
  • Ninguém fica se olhando, reparando descaradamente nas roupas dos outros ou secando o corpitcho. Gostei J

Fim de noite: lá pelas 4 ou 5 voltamos pra casa. Eu não sentia mais minhas pernas e o Mohhamed tava tão bêbado que nos confundiu com outro grupo de pessoas. Hahaha, ainda bem que tinha o Andrea sóbrio e acordado pra dirigir no trânsito 24h por dia caótico de Napoli.

Sexta-feira, dia 29 – welcome party

Depois de me recuperar da noite anterior e dar bandinhas nos arredores em busca de roupas novas e baratas, fiz negrinho pra levar um prato brasileiro pra nossa festa de boas vindas. Sei que é sem graça perto do menu brasileiro, mas aqui não tem o nosso brigadeiro e eu sou uma pessoa prática. A Vero fez bolo de banana. Nós duas, a Valentina, a Dora e o Georgio levamos mais de uma hora pra achar a tal da casa de reality show onde a Violet (chinesa), a Aga (polonesa), a Vyctoria (cazaquistanesa) e o Sunny (indiano) estão morando. É enorme e bonita, mas é muuuito isolada. Mil vezes morar num apartamento na Chinatown de Napoli que é central e tem tudo perto.

welcome party

Enfim, comemos e bebemos muito vinho, mas tivemos que voltar super cedo porque o Georgio é estudioso e ta em fase de testes. Soube mais tarde dos babados da festa, mas não são publicáveis aqui. É simplesmentente melhor não.

Sábado, dia 30 – só me fodo

Quem me conhece sabe que eu vivo me dando mal. Pois então, adivinhem quem foi a primeira pessoa a dar aula entre todos os trainees, começando pela manhã seguinte da welcome party, mais precisamente às 8 da manhã? Ecco! Ok, o Mohhamed também. Ainda bêbado. Como ele conseguiu chegar até a escola é um mistério até pra ele.

Como nos atrasamos muito (metrôs em Napoli no sábado são uma tristeza), só pudemos falar com os alunos por 20 minutos. Todos estavam muito interessados no que eu dizia, participaram bastante, mas entediam muito pouco. Inglês nas escolas da Itália não é muito diferente que no Brasil. Como era aula de italiano (e não de inglês), a professora não entendia nada do que eu dizia, mas queria saber, então uma indie gordinha e simpática traduzia pra ela e pra quem não entendeu. A professora é mais uma típica mamma, já veio me abraçar, me chama de bella e me convidou pra comer pizza com os alunos. Estou animada quanto às aulas, mas vai ser difícil se as pessoas não entenderem o que eu digo e tudo tiver que ser filtrado pela tradução de uma das únicas pessoas na sala que realmente entende inglês.

Enfim, logo depois da aula comprei minha passagem de trem pra Roma e, quando cheguei em casa, a Violet me ligou pedindo pra eu comprar a dela porque estava atrasada e tinha medo que não houvesse mais bilhete quando ela chegasse na estação. Voltei lá (é super perto do nosso prédio) e esperei uns vinte minutos na fila pra comprar o bilhete dela, sendo que eu estava atrasada e ainda precisava arrumar minha bagagem. Mais tarde, quando lhe entreguei o bilhete, ela nem me agradeceu. Foi a primeira parte de uma série de choques culturais e pessoais que mais tarde eu explico. (Não entendo como as pessoas podem ser tão mal educadas às vezes, o que custa um obrigado e um por favor?)

Enfim, cheguei em casa, mandei e-mail pra família e pro namorado avisando que eu estava indo pra Roma, tomei uma ducha e enfiei o que pude na minha mochila. Corri pra estação com a Ira (que, graaaaças a Deus nos acompanhou) e, quando sentei no trem, a Violet me diz que ninguém reservou Hostel pra gente. Ela só tem cartão de crédito chinês que ninguém no mundo ocidental aceita e não tinha como reservar, então passou a semana inteira azucrinando pessoas da @ pra reservarem pra ela. Como eu só decidi ir pra Roma quinta, achei que estava tudo resolvido. Mas não estava.

(Minhas histórias em Roma continuam no próximo post, senão ninguém vai ler isso de tão comprido.)

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Comida,diversão e arte

Hoje eu tive tempo de escrever um texto literário, mas preferi conhecer o Museo Capodimonte e dormir um pouco (ok,demais) pra me recuperar de ontem.  Fomos no ap do Mohhamed comer pizza e beber pra sair depois. Tínhamos três opções: ir numa festa na casa dos amigos dos roomates do Mohhamed ou num pub com o pessoal da @. Adivinhem qual eu preferia… Festa em casa, é claro. Mas a Verônica não quis de jeito nenhum, então fomos no pub, que é o mesmo da festa da Marina. Cheguei lá, só deu tempo de tomar uma Heineken, ser apelidada de Chihuahua (pq eles não conseguem achar um apelido condizente com a minha pessoa, então inventaram qualquer coisa que soe engraçado) e apagar bonito na mesa, como sempre foi de praxe. Eu consigo dormir em qualquer lugar sob qualquer circunstância, é só estar cansada ou ter bebido um pouco (não o suficiente pra ficar enlouquecida).

Na casa do Mohhameed, bebemos oito garrafas de vinho entre sete pessoas, comemos pizza margherita e dançamos até não poder mais. Foi tão divertido, muito vou freqüentar aquela casa. Todo mundo é faceiro, maluco e de nacionalidades diferentes, me sinto dentro do filme “Albergue Espanhol”. O Guido, italiano, é meio que o “chefe da casa”, muito querido e engraçado (gordinhos, sempre). A Sophie, francesa, é um doce. O espanhol que não lembro o nome é uma figura, bem fora da casinha, e o outro italiano tava bêbado demais pra eu formar juízo de valor sobre ele, vou dar essa chance. O Mohhamed, que é egípcio, vocês já sabem que é totalmente sem noção. Eu e a Verônica tivemos nossa introdução à Tarantella com o Guido e eu fingi que danço samba, hahaha. Mas um outro espanhol chegou lá e me desmascarou, maldito. Daí eu inventei que era um tipo diferente de samba, um que tu vai indo pra trás, hahahahaha. O pior é que todo mundo acreditou. Jesus cristinho, eu danço muito mal.

Não tenho a mínima ideia da hora que chegamos, só sei que foi depois das duas pq a Valentina disse que tava acordada até essa hora e não nos viu chegar. Acordamos as 9 e pouco pq queríamos ir pra Sorento, uma cidadezinha aqui perto, mas enrolamos demais e tivemos que ficar por aqui mesmo. Fomos no Museo Capodimonte, que é lindo demais. Lá e em outros pontos turístico de Napoli está acontecendo uma exposição de arte muito boa, Ritorno al Barocco. Tenho paixão por museu, vontade de armar uma barraquinha e viver lá dentro. Esse era enorme e lindo, no século XVIII era a moradia da família Bourbon. Quando entramos, eu não tinha ideia de quanto tempo levaríamos pra ver tudo e a Verônica entrou a contragosto, então tive que ver tudo muito rápido (dois andares em duas horas). Pretendo voltar lá outro dia e ver a pintura que o Andy Warhol fez do Vesúvio. Também queria a blusa da pintura, mas custa 20 euros (ouch).

A sensação de estar num museu com milhares de obras de arte é indescritível. Lembro de quando eu fui no Louvre e passei 12 horas lá dentro, completamente alheia ao mundo exterior. Não sou entendida em arte, conheço o básico, mas adoro apreciar como leiga mesmo. Quadros magníficos, com expressões tão reais que parecem de verdade, trazem-me lembranças que nunca tive, levam-me a lugares em que nunca estive, despontam sensações que eu nunca vou sentir, a não ser ali, naquele momento em que eu observo cada pincelada… Imaginando o que o artista pensava enquanto criava uma obra tão forte. Tenho muito o que pesquisar no google agora, to cheia de curiosidade sobre certos artistas. O único que eu conhecia mesmo era o Caravaggio. E os aposentos da família Bourbon, que loucura! Minha imaginação voou longe, mas se eu tentar descrever aqui tudo que passou pela minha cabeça literariamente vai soar incrivelmente cafona. Enfim, eu fiquei pouco tempo lá, mas foi o suficiente pra inflar meu coraçãozinho de poesia e beleza, como é bom.

Na volta, passamos no mercado e eu me atraquei a comprar queijos, viciei em muzzarela de búfalo, é muito foda, sério. Comprei queijo brie também, outra paixão minha. Aproveitei pra comprar umas guloseimas, salada, frutas e vinho beeeem barato, que ainda não provei, to com dor de garganta. Procuro pensar que, se é italiano, é bom, porque até agora não comi coisa alguma que não fosse absolutamente deliciosa, com exceção do suco de morango e os biscoitinhos do avião.

Quando chegamos em casa, às 16h30 (anoitece e fica muuuuuito frio às 17h), finalmente almoçamos. Desmaiei de sono e acordei depois pra tomar chá com biscoitos com a Valentina e a Ira (ucraniana maluca). Esta nos ofereceu balas ucranianas de lagosta! Ta, mentira, é a marca, mas como ta escrito coisas em ucraniano com um desenho de lagosta eu choquei e decidi provar. Ela ficou dizendo que era de lagosta mesmo, nos tirando, mas era normalzinha. Como no primeiro dia ela nos deu uma sopa com aparência de diarreia (ok, era boa) e logo em seguida nos ofereceu suco de tomate (o genuíno pomarola, porém mais líquido, vê se pode), eu acreditei muito confiante que era de lagosta mesmo.

Estou preocupada com meu italiano, que está muito ruim e eu não pratico por preguiça, já que a maioria do pessoal que eu conheço fala inglês. Quero treinar meu francês com a Sophie e meu italiano com a Valentina, mas inglês é tão cômodo, eu já voltei a pensar e falar sozinha em inglês… Também não dá pra manter uma conversação com um vocabulário limitado. Vou estudar, algum dia. Agora vou ler “A sangue frio”, porque eu estava em crise de abstinência de literatura.

To sem internet agora pq o Mohhamed tá em Amsterdam,então tive que pegar emprestado da ucraniana roomate. Não sei quando vou conectar de novo,por isso quis dar notícias agora. Arrivederci!

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Enfim,um lar

Ok ok,vou começar esse post reconhecendo que fui dramática no post anterior. To bem melhor agora,que finalmente tenho um lar. Estamos morando num apartamento de um prédio muito antigo quase na Piazza Garibaldi,que é relativamente central e tem estação de metrô bem pertinho. O problema é que é uma região meio perigosa,tem umas pessoas estranhas por tudo e bem na nossa rua montaram um camelô infinito e bem feioso. Na frente do nosso prédio tem um mercadinho chamado My Africa, do lado uma lanchonete árabe,que, por sua vez, fica na frente de um salão de beleza chinês que fica na frente de um restaurante japonês…ufa! Tem de tudo,é tipo um gueto multicultural.

No momento to no ap do Mohhamed, que fica num prédio bem assustador numa ruela punk,mas é ótimo ficar aqui pq as pessoas são muito legais e  (plus) tem internet. Tem um espanhol mucho loco fazendo malabares, uma francesa simpática com quem eu estou conversando em francês, um italiano que quer ir pro Brasil e um outro italiano que tá fumando por aí. Sempre tem amigos aqui,casa cheia e divertida, cheia de bebida e afins. Curti,queria morar aqui,mas não espaço. Só que o meu ap é bem melhor,mais bonito,conservado,ajeitadinho e organizado,só tem mulher,afinal.Estamos entre cinco: eu, Verônica, Irena (intercambista ucraniana e doida da AIESEC) e mais duas italianas muito queridas. Quando chegamos ontem,a Valentina cozinhou massa com molho de tomate pra nós e de noite,tomamos chá e assistimos vídeos de tarantella no youtube,e elas dançaram pra gente,avacalhando.Foi engraçado. Quero aprender tarantella,não sei nem sambar e quero dançar música italiana!

Ontem fiz compras tb,o que melhorou o meu humor consideravelmente. Comprei um casaco de lã azul escuro lindo por 30 euros,um vestidinho de inverno e várias meias quentinhas para que os meus pés não congelem. To me sentindo bem agora,as coisas estão se ajeitando,eu to na Italia,vou numa disco club hoje,tomar umas pra ficar mais faceira… enfim,tá tudo bem,look at the bright sight of life,etc. Estão nos servindo café agora,então vou encerrar meu post agora sem fotos,tá dando erro de html aqui ¬¬ Vejam minhas fotos no orkut!

Bacio!

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Sempre tem um porém

Putz, não to muito feliz com as circunstâncias do intercâmbio. Ainda não temos onde morar e nem ideia de onde ou quando teremos nosso apartamento. As outras trainees que estão morando na casa de reality show (elas são do outro comitê local da @) já tem água quente e calefação e tudo que precisam. É longe, mas pelo menos elas tem uma casa só pra elas – e maravilhosa, ainda por cima. Só agradeço por não morar lá porque eu sou muito diferente delas e duvido que eu seria feliz convivendo com a chinesa e a cazaquistanesa (?), somente a polonesa é legal. Eu também sou radicalmente diferente da Verônica, mas estamos unidas pela pátria e língua materna ao menos. O Mohhamed ta indo hoje pra uma casa no centro morar com outros intercambistas que estão morando em Napoli pra fazer mobilidade acadêmica pelo Erasmus (dizem que são loucos da cabeça). Eu e a Veronica ainda estamos em casa de famílias (todos muito bons, mas queremos nosso cantinho!). O ap do centro que tinham achado no fim era uma porcaria e agora a Anna (minha buddy) ta procurando mais, mas não sei o que vai acontecer agora.

Tudo ta muito incerto e desorganizado – é o napolitan way, eu sei – e tudo que eu queria agora é uma certeza na vida. Todo mundo da @ tem provas difíceis e tem que estudar, sem muito tempo pra gente, acho que isso ta catalisando a situação caótica. Não é que eu queira atenção, eu to o tempo todo com o Andrea e não me sinto sozinha, eu só quero um lugar definitivo pra ficar e um pouco de independência. Talvez eu esteja sendo chata, eu sei que intercambistas precisam estar abertos a qualquer tipo de circunstância, mas eu não esperava tanta confusão, realmente.

Quero aproveitar meu tempo e to feliz por estar aqui, mas as coisas definitivamente precisam se ajeitar. Ainda por cima descobri hoje que só vamos dar aulas uma vez por semana por uma ou duas horas (nem isso é certo!!) e pra uma só turma, que deverá ser quase expert em Brasil pra apresentar depois o país numa competição. No tempo livre, vou ter que trabalhar na @ (não sei dizer não, coisa triste). Vou tentar é me unir ao Mohhamed, que quer viajar o máximo possível e já ta indo pra Amsterdam sexta até, to get wasted com uns amigos. Ele é muito engraçado, feliz e festeiro e todo mundo aqui adora ele. Mas não vou pra Amsterdam com ele. Pra Praga, talvez.

Hoje tive que acordar as 7 e meia da matina pra vir pra universidade com o Andrea,pq é hoje a prova dele,soh que ele ainda nao sabe o horario,o professor simplesmente nao avisa nada. Ele me lembra um outro professor, da FACOS, muito famoso, porque ele tem 74 anos (ja devia ter se aposentado mas apresentou recursos e vai dar aula ate morrer),vive contando historias da sua infancia e dizendo que os tempos eram outros e faz as provas mais dificeis do curso,nas quais os alunos tem que responder tudo perfeitamente senao zeram a questao. Quem estuda na FACOS sabe de quem eu to falando. Entao,existe uma versao italiana deste professor,que divertido! (nao pro Andrea,que estudou ate nao poder mais e acha que vai ir mal). To meio de cara pq a minha reuniao é soh as 14h30 (a hora marcada,pq ontem esperamos 2 horas e meia pela pessoa responsavel da empresa). Todo mundo se atrasa muuuuuito aqui,mais que no Brasil. Odeio esperar e hoje ta um dia lindo,perfeito pra ir passear e eu nao posso ir pq tenho 10 kgs nas costas (laptop enorme). Nao to exagerando,eu pesei a mochila no aeroporto.

Tudo anda muito frustrante por aqui,to precisando fazer alguma viagem,alguma coisa diferente,uma boa noticia ao menos,senao vou ficar mau humorada e triste e eu nao quero ficar triste na Italia,é quase um absurdo. Alem do mais,se voce é um trainee e nao vibra de alegria, as pessoas nao gostam muito de voce,e como eu preciso me integrar e sou timida e fechada,vamos la,preciso de doses de endorfina.

Ok,ja reclamei demais. Deixo voces com um pouco de mau humor e uma foto da imundicie de Napoli,pra combinar com o meu estado realista no momento.

Tem muitos predios aqui precisando de uma boa reforma

A mafia controla o lixo aqui,entao esse tipo de visao é bastante comum,até mesmo na frente de igrejas lindas e pontos turisticos,como é o caso da foto.

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Fotos,finalmente!

Oi gente! Finalmente posto as fotos que prometi,mas a maioria ja coloquei no orkut (eh muito mais facil de subir tudo). Como eu odeio o wordpress e nao entendo pq eu fui fazer um blog atraves dele (ok,eh mais bonitinho),eu vou postar soh algumas fotos aqui e o resto vai tudo pro orkut. Aqui postei soh as fotos que nao tem no orkut,com legenda,pra voces entenderem.
Ainda nao sei quando eu vou me mudar,deu tanta confusao que eh dificil de explicar. Soh sei que nao vou mais morar na casa de reality show pq era muito longe e rolou um stress entre os dois comites da @ em Napoli. Entao algum dia (nao sei quando MESMO) acredito que vou morar num apartamento no centro historico,que eh o melhor lugar de Napoli,onde estao as igrejas,alguns castelos,cafes,piazzas,enfim.
Ja to em fase de experimentaçao de doces e pizzas italianas,nossa,como a comida eh boa aqui,serio!Quero morar aqui pra sempre!Tudo é muito mais leve e delicioso,cheguei à conclusao que a comida brasileira é muito gordurosa e over. Claro que eu gosto (#adoro) mas prefiro a italiana,toda a vida. E aqui (como muitos de voces sabem) quando tu pede uma pizza (que custa em media 3 ou 4 euros) vem uma pizza enorme e nao existe outro tamanho. Eu soh consigo comer metade,entao divido com alguem sempre (estrangeiros somente,pq italiano que é italiano come a pizza inteira,mesmo sendo uma menina raquitica).
Quando eu fui numa pizzaria jantar com o pessoal da @,nao sabia que sabor escolher. O Andrea me disse pra comer ou Margherita ou Marinara,mas, brasileira que sou, acho muito sem graça e gosto de pizza cheia de coisas. Entao pedi uma que parecia o que conhecemos como pizza portuguesa. Quando a minha pizza chegou, tinha um OVO FRITO no meio da pizza! O Andrea riu muito da minha cara e contou pros pais dele,que ficaram indignados gesticulando muito. Pizza (e comida em geral) aqui soh pode ser a mais tradicional possivel, queijo,molho e alguns temperinhos. Ontem fomos no aniversario de uma tia do Andrea e a mae dele contou pra todo mundo da tal da minha pizza com ovo (vontade de me enfiar dentro do sofa) e todos riram muito da estrangeira que nao sabe comer (alguns torceram o nariz). As comidas do aniversario,alias,eram uma delicia,muitos salgadinhos e doces tipicos e maravilhosos.
Enfim,por enquanto eh soh,vou trabalhar um pouquinho nas minhas aulas agora e amanha ou depois conto mais novidades! Ci vediamo domani!

No Centro Historico de Napoli

Primeira vista da Italia

 

No aeroporto de Malpensa, Milao

Brasileiras mofando no aeroporto

Eu e o Andrea

Palazzo municipale

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